Saturday, April 16, 2005

Vou-me Embora pra Passárgada

Sabem, semana passada estava indo pra faculdade quando fiquei preso num engarrafamento monstro por causa de um incêndio no Zona Sul de São Conrado. Fiquei muito tempo parado, sem conseguir sequer sair da Barra quando pensei: "Quer saber? Que se foda!" - E fui pra praia tomar uma agua de côco e ver o pôr do sol. Quando estava lá na praia relaxando e vendo aquele céu já meio alaranjado, me veio na cabeça um verso de um poema do Bandeira - "Vou-me embora pra Passargada! Vou-me embora pra Passargada!" - e me caiu a ficha: Meu Deus! Se Passargada existe, é o Rio de Janeiro!
Confiram comigo os versos:

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
(O sol, considerado Deus-rei na mitologia antiga, e quem mais amigo do sol do que o carioca?)
Lá tenho a mulher que eu quero
(existem mulheres mais desejadas do que as cariocas? óbvio que não...)
Na cama que escolherei
(a cama é uma metáfora para a praia e seus lençóis de areia, onde o autor pode apreciar a beleza feminina)
Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
(provavelmente ele tava em SP quando escreveu esse poema... )
Lá a existência é uma aventura
(Quem nunca foi assaltado?)
De tal modo inconseqüente
(Mesmo com o risco de assalto o carioca não deixa de sair de casa)
Que Joana a Louca de Espanha
(Turista, viu? Só pode ser o Rio)
Rainha e falsa demente
(No Rio todo mundo se sente rei e rainha, e pra vir pra cá, realmente só pode ser FALSA demente... Se fosse demente de verdade ia pra Brasília...)
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

(O Rio de Janeiro é uma grande família, todo mundo é amigo, todo mundo se conhece...)

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta

(Lugar saudável, onde todo mundo pratica esporte, é sarado... Isso te lembra algum lugar?)
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo

(Aqui ele mostra que tem que ser macho pra morar ali, tb, com tanto assalto...)
Tomarei banhos de mar!
(Nesse verso o autor chuta o pau da barraca e abre logo o jogo! Acho que depois dessa ninguem pensa mais em Brasilia, Sampa ou BH, né???)
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
(Quando eu era criança e o rio Maracanã transbordava eu tb adorava brincar de barquinho de papel na chuva... Novamente, uma alusão clara do autor ao Rio de Janeiro)
Vou-me embora pra Pasárgada

Viram? Depois dessa interpretação do poema de Bandeira fica claro que o Rio de Janeiro é e sempre será a Cidade Maravilhosa. E numa citação de outro poeta, dessa vez Vinicius (aliás, carioca assumido): Que me desculpem as (cidades) feias, mas beleza é fundamental!

Nota mental: Matar mais aula pra ir tomar agua de côco na beira da praia...

Tocando no Winamp: Sing - Travis
"For the love you bring
won't mean a thing
Unless you sing, sing, sing, sing"

Monday, April 11, 2005

Eu não Gostava do Papa João Paulo II

recebi por e-mail, e tinha q dividir com vocês:

...

Eu não Gostava do Papa João Paulo II

"Escrevo enquanto vejo a morte do Papa na TV. E me espanto com a imensa emoção mundial. Espanto-me também comigo mesmo: "Como eu estou sozinho!"-pensei.

Percebi que tinha de saber mais sobre mim, eu, sozinho, sem fé alguma, no meio desse oceano de pessoas rezando no Ocidente e Oriente. Meu pai, engenheiro e militar, me passou dois ensinamentos: ele era ateu e torcia pelo América Futebol Clube. Claro que segui seus passos. Fui América até os 12 anos, quando "virei casaca" para o Flamengo (mas até hoje tenho
saudade da camisa vermelha, garibaldina, do time de João Cabral e Lamartine Babo) e parei de acreditar em Deus.

Sei que "de mortuis nihil nisi bonum" ("não se fala mal de morto"), mas devo confessar que nunca gostei desse Papa. Por quê? Não sei. É que sempre achei, nos meus traumas juvenis, que Papa era uma coisa meio inútil, pois só dava opiniões genéricas sobre a insânia do mundo,
condenando a "maldade" e pedindo uma "paz" impossível, no meio da sujeira política.

Quando João Paulo entrou, eu era jovem e implicava com tudo. Eu achava vigarice aquele negócio de fingir que ele falava todas as línguas. Que papo era esse do Papa? Lendo frases escritas em partituras fonéticas... Quando ele começou a beijar o chão dos países visitados, impliquei mais ainda. Que demagogia! - reinando na corte do Vaticano e bancando o humilde...

Um dia, o Papa foi alvejado no meio da Praça de São Pedro, por aquele maluco islâmico, prenúncio dos tempos atuais. Eu tenho a teoria de que aquele tiro, aquela bala terrorista despertou-o para a realidade do mundo. E o Papa sentiu no corpo a desgraça política do tempo. Acho que a bala mudou o Papa. Mas fiquei irritadíssimo quando ele, depois de curado, foi
à prisão "perdoar" o cara que quis matá-lo. Não gostei de sua "infinita bondade" com um canalha boçal. Achei falso seu perdão que, na verdade, humilhava o terrorista babaca, como uma vingança doce.

E fui por aí, observando esse Papa sem muita atenção. É tão fácil desprezar alguém, ideologicamente... Quando vi que ele era "reacionário" em questões como camisinha, pílula e contra os arroubos da Igreja da Libertação, aí não pensei mais nele...Tive apenas uma admiração passageira por sua adesão ao Solidariedade do Walesa mas, como bom "materialista", desvalorizei o movimento polonês como "idealista", com um Walesa meio "pelego". E o tempo passou.

Depois da euforia inicial dos anos 90, vi que aquela esperança de entendimento político no mundo, capitaneado pelo Gorbatchev, fracassaria. Entendi isso quando vi o papai Bush falando no Kremlin, humilhando o Gorba, considerando-se "vitorioso", prenunciando as nuvens negras de hoje com seu filhinho no poder.
Senti que o sonho de entendimento socialismo-capitalismo ia ser apenas o triunfo triste dos
neo-conservadores. O mundo foi piorando e o Papa viajando, beijando pés, cantando com Roberto Carlos no Rio. Uma vez, ele declarou : "A Igreja Católica não é uma democracia".
Fiquei horrorizado naquela época liberalizante e não liguei mais para o Papa "de direita".

Depois, o Papa ficou doente, há dez anos. E eu olhava cruelmente seus tremores, sua corcova crescente e, sem compaixão alguma, pensava que o Pontífice não queria "largar o osso" e ria, como um anticristo.

Até que, nos últimos dias, João Paulo II chegou à janela do Vaticano, tentou falar... e num esgar dolorido, trágico, foi fotografado em close, com a boca aberta, desesperado.

Essa foto é um marco, um símbolo forte, quase como as torres caindo em NY. Parece um prenúncio do Juízo final, um rosto do Apocalipse, a cara de nossa época. É aterrorizante ver o desespero do homem de Deus, do Infalível, do embaixador de Cristo. Naquele momento, Deus virou homem. E, subitamente, entendi alguma coisa maior que sempre me escapara: aquele rosto retorcido era o choro de uma criança, um rosto infantil em prantos!

O Papa tinha voltado a seu nascimento e sua vida se fechava. Ali estava o menino pobre , ex-ator, ex-operário, ali estavam as vítimas da guerra, os atacados pelo terror, ali estava sua imensa solidão igual à nossa. Então, ele morreu. E ontem, vendo os milhões chorando pelo mundo, vendo a praça cheia, entendi de repente sua obra, sua imensa importância. Vendo a cobertura da Globo, montando sua vida inteira, seus milhões de quilômetros viajados, da África às favelas do Nordeste, entendi o Papa. Emocionado, senti minha intensíssima solidão de ateu. Eu estava fora daquelas multidões imensas, eu não tinha nem a velha ideologia esfacelada, nem uma religião para crer, eu era um filho abandonado do racionalismo francês, eu era um órfão de pai e mãe. Aí, quem tremeu fui eu, com olhos cheios d'água. E vi que Karol Wojtyla, tachado superficialmente de "conservador", tinha sido muito mais que isso. Ele tinha batido em dois cravos: satisfez a reacionaríssima Cúria Romana implacável e cortesã e, além disso, botou o pé no mundo, fazendo o que italiano algum faria: rezar missa para negões na África e no Nordeste, levando seu corpo vivo como símbolo de uma espiritualidade perdida. O conjunto de sua obra foi muito além de ser contra ou a favor da camisinha. Papa não é para ficar discutindo questões episódicas. É muito mais que isso.
Visitou o Chile de Pinochet e o Iraque de Saddam e, ao contrário de ser uma "adesão alienada", foi uma crítica muito mais alta, mostrando-se acima de sórdidas políticas seculares, levando consigo o Espírito, a ideia de transcendência acima do mercantilismo e ditaduras. E foi tão "moderno" que usou a "mídia" sim, muito bem, como Madonna ou Pelé.

E nisso, criticou a Cúria por tabela, pois nenhum cardeal sairia do conforto dos palácios para beijar pé de mendigo na América Latina. João Paulo cumpriu seu destino de filósofo acima do mundo, que tanto precisa de grandeza e solidariedade.

Sou ateu, sozinho, condenado a não ter fé, mas vi que se há alguma coisa de que precisamos hoje é de uma nova ética, de um pensamento transcendental, de uma espiritualidade perdida.
João Paulo na verdade deu um show de bola."

Arnaldo Jabour

Wednesday, April 06, 2005

The Fast and The Hilarious

E nada como começar o dia com uma discussão no trânsito pra me fazer rir um pouquinho...
Estava dirigindo quando uma mulher do nada meteu o carro na minha frente, e ainda buzinou no meu ouvido. Eu retornei com uma buzinadinha irônica (comunicação de motoristas, quem dirige vai entender) e a maluca aparentemente se indignou com isso e resolveu me sacanear (mais?), andando devagarzinho na minha frente. Sem opção, joguei o carro para a esquerda para me livrar da anta, mas ao ver que eu ia ultrapassá-la, a vaca (reparem q os apelidos vão mudando conforme cresce a intimidade) resolveu acelerar para impedir. Ficamos emparelhados por um tempo, quando de repente vejo um taxi parado na minha frente, e sem a menor cerimônio dou uma fechada fenomenal na vaca, estilo "Velozes e furiosos". Logo depois, paro num sinal, e a mulé-macho resolve vir tirar satisfação:
Ela: (gritando) Se bater paga, hein!
Eu: (cara de cínico) Ialá! Consegue falar! Só falta conseguir enxergar e já vai poder até aprender a dirigir...
Ela: Você sabe com quem tá falando? (original essa, hein...)
Eu: Tô me lixando...
Ela: Eu posso mandar te prender!!
Eu: Então manda, que eu quero ver se tu é tão macho quanto aparenta!
Ela: Seu... seu... idiota! (ahahhha me senti no jardim de infância nessa...)
E vai embora completamente transtornada...
Parti logo em seguida, debaixo de uma saraivada de risos das pessoas que pararam na calçada para assistir a cena...

Tuesday, April 05, 2005

Ginástica aos 50

Não costumo postar textos que não são meus, mas recebi esse por e-mail e achei engraçado...


Ginástica aos 50

Agora que acabei de completar 50, minha mulher me presenteou com um cupom válido por uma semana de treinamento físico em uma boa academia local.
Independente de que eu estou em excelente forma, pensei que era uma boa idéia para tentar deter o processo da "barrigudinha" que ataca a todos nós. Liguei para a secretaria e fiz minha reserva com uma personal trainner chamada Nadia, que se auto-descreveu como uma Instrutora de Aeróbica de 26 anos e modelo de trajes de banho e roupa esportiva, e a secretaria me recomendou que levasse um diário para ir documentando meu progresso e é esse que eu lhes envio:

Segunda:
Comecei meu dia as 6:00. Bastante difícil levantar-se da cama a essa hora, porém toda viagem valeu a pena quando cheguei ao ginásio e vi que Nadia estava me esperando. Parecia uma deusa grega: ruiva, olhos azuis e um grande sorriso, com uns lábios carnudos e um corpo espetacular. Nadia me fez um tour para mostrar os aparelhos, tomou meu pulso depois de 5 minutos na bicicleta. Se alarmou que meu pulso estava tão acelerado porem eu o atribui a ela, vestida com uma malha de lycra coladinha, e estava bem perto de mim. Desfrutei bastante do exercício. Nadia estava sempre me motivando quando fazia as sessões, apesar da dor na barriga que eu sentia, de tanto encolhe-lá toda vez que ela passava perto de mim.

Terça:
Tomei duas jarras de café, porém finalmente sai da porta da minha casa. Nadia estava mais linda que nunca, me pôs a levantar uma pesada barra de metal e depois se atreveu a por pesos!!! Minhas pernas estavam um pouco debilitadas, mas eu consegui completar UM KILOMETRO COMPLETO.
O sorriso arrebatador que Nadia me deu me convenceu completamente de que todo exercício valeu a pena... me sentia fantástico... era uma nova vida para mim.

Quarta:
A única forma como consegui escovar os dentes foi colocando a escova sobre a pia e movendo a cabeça para os lados. Creio que tenho uma hérnia nos peitorais. Dirigir não foi tão fácil: somente de frear e dar voltas no volante me doía o peito. Estacionei em cima da calçada...
Nadia estava ficando impaciente comigo por considerar que meus gritos molestavam demais os outros sócios do clube. Sua voz estava um pouco aguda a essas horas da manhã e quando gritava me incomodava muito. Meu corpo doeu inteiro quando ela me colocou uma cinta para fazer escalada. Para que merda alguém inventa um treco para se escalar quando isso já esta obsoleto com os elevadores? Nadia me disse que isso me ajudaria a ficar em forma e desfrutar a vida... ou alguma dessas merdas de promessas.

Quinta:
Nadia estava me esperando com seus odiosos dentes de vampiro e com seu sorrisinho estilo Jack Nicholson em Batman. Não pude evitar de chegar meia hora atrasado: foi o tempo que demorei para colocar os sapatos. A desgraçada da Nadia me colocou para trabalhar com os pesos, quando se distraiu, sai correndo para me esconder no banheiro. Mandou um outro treinador me buscar e como castigo me pôs a trabalhar na maquina de remar... e me ferrei.

Sexta:
Odeio a desgraçada da Nadia mais que qualquer outro seu humano que tenha sido odiado na historia do mundo. Estúpida, magra, anêmica, chata e feminista sem cérebro! Se houvesse uma parte do meu corpo que podia se mover sem uma dor angustiante, eu partiria no meio a vaca que pariu essa desgraçada. Nadia quis que eu trabalhasse meus tríceps... EU NEM SEI O QUE É UM tríceps!!! e se não bastasse me colocar o peso para que o rompesse, me colocou aquelas merdas das barras ou qualquer outra coisa que pese mais que um sanduíche...
A bicicleta me fez desmaiar e acordei na cama de uma nutricionista, uma idiota que me deu uma catequese de alimentação saudável, claro. Que mal tem se entupir tanto de comida a ponto de passar mal? Por que eu não fui fazer algo mais tranqüilo, como ter aulas de costura?

Sábado:
A lazarenta da Nadia me deixou uma mensagem no celular com sua vozinha de lésbica assumida, perguntando-me por que eu não fui. Só com a vozinha me deu gana de quebrar o celular, porem não tinha certeza se teria força suficiente para levanta-lo, inclusive para apertar os botões do controle remoto da TV estava difícil... assim eu fiquei sentado, assistindo 11 horas seguidas o maldito National Geographics, vendo um hipopótamo maldito ficar comendo e brincando na lama...

Domingo:
Pedi ao vizinho do lado para ir a missa e agradecer a Deus por mim por essa semana que terminou. Também rezei para que o ano que vem, a desgraçada da minha mulher me presenteie com algo um pouco mais divertido, como um tratamento dentário de canal, um cateterismo ou um exame de próstata...