Tuesday, March 22, 2005

Quem mandou ser brasileiro e não desistir nunca?

E depois de conversar com Deus no post de baixo, nada mais apropriado do que ir parar no inferno no post seguinte...

Segunda à noite, ligo para o pessoal: e aí, vamos no show?? - "Vamos combinar com a galera na estação arcoverde às 8:30"
Olho para o relógio, e o ponteiro já passa das 8... Corro então para me arrumar e vou pegar o metro na estação maracanã, perto da minha casa. Quando entro no vagão... bem... Eu sempre soube que o nível dos frequentadores da linha 2 era mais baixo do que da linha 1, mas eu realmente não estava preparado para os acontecimentos a seguir. Logo que entrei, ouvi uma mulher gritando: "Não gostooooou???? CAI NA MÃO!!", e enquanto eu ia em direção oposta, um grupo de uns 8 batucava no teto e na parede. Pura civilidade... E eu pensando - tudo bem, quando fizer a baldeação para a linha 1 a coisa melhora - ts ts ts

Quando o metrô chegou no Estácio, saíram dezenas de pessoas ao mesmo tempo se empurrando, a massa gritando e aplaudindo de tal forma que me senti subindo a rampa do Maracanã em dia de final... achei seriamente que logo logo iria rolar um arrastão em plena estação.

Ao chegar na plataforma, fui guiado como porco no curral para um canto da estação por um cordão de isolamento feito pela polícia militar para evitar que nós vândalos nos misturássemos com as pessoas de bem que estavam no outro canto, enquanto os cânticos de "olê olê" se espalhavam em eco pelos quatro cantos da estação (novamente, me senti em pleno Fla x Flu). Quando o trem abriu as portas, fui arremessado para dentro, e enquanto tentava me segurar em algum pedacinho de poste deixado livre, vejo entrar gritando um grupo extremamente barulhento - PQP, tanto vagão nessa merda e eu tinha que ficar no mesmo que uma facção da Força Jovem - pensei.

A viagem começa, já extremamente apertada, e a cada estação que passa entra mais gente, a chegar num ponto onde eu não precisava mais segurar no poste pois mesmo que eu quisesse não conseguiria cair para qualquer lado, tudo isso obviamente ao som de piadinhas engraçadíssimas dos acéfalos do meu lado, que gritavam coisas meigas como "tira o cú da minha mão", "vou peidar!!", "Qué conforto vai de taxi", e o já famigerado mas ainda assim romântico "gostosa! gostosa!" sempre que entrava uma mulher no trem...

Quando chegamos na estação da Carioca uma mulher já estava passando mal, e os mais avantajados fisicamente começaram a se posicionar estrategicamente nas portas para impedir a entrada de mais algum infeliz naquele vagão, ao passo que os agentes das estações ficavam do lado de fora empurrando os mesmos infelizes para dentro, e nisso se passavam variados e preciosos minutos a cada estação, aguardando o empurra-empurra. Quando chegamos na Glória, a situação era tão insuportável que eu me juntei ao coro da Força Jovem que batia no teto e gritava em uníssono: "Não entra! Não entra! Se entrar vai ter porrada!", e respirei fundo quando um deles anunciou em alto e bom som - "Vou fumar! Que se foda, tô estressado!" - debaixo de lamentos e reclamações por parte de todos os presentes no vagão, que logo puderam se extasiar com aquele fumacê. "E não reclama não que pelo menos não é maconha!" - dizia ele, enquanto meu celular tocava sem receber a menor atenção, já que eu estava mais preocupado em conseguir descomprimir meus pulmões em intervalos regulares para respirar (fora o fato de não haver a menor possibilidade de eu conseguir abaixar os braços ali para pegá-lo no meu bolso).

Quando o trem abriu na estação Arcoverde, me senti dessa vez DESCENDO a rampa do maracanã como se meu time tivesse vencido de goleada, ao som de expressivos "VIVA!!!", "AÊEEE" e uma saraivada de palmas. Ao sair da estação, encontro uma amiga:
Eu: PQPnuncamaiseuandodemetrônavida!!!!
Ela: Nossa que cara é essa? Tá com uma cara de desespero...
Eu: Pelo contrário, essa é minha cara de alívio! Nem fudendo eu volto nessa merda!

...

Personagem da noite:
Uma mulher rebolava muito na nossa frente durante o show, e do lado dela um cara de óculos e braços cruzados, sério, com muita cara de Nerd e uma camisa de futebol escrita atrás "Raul". Achando engraçada a situação, ríamos do "Raul" quando um cara que tava com a gente resolveu chegar na tal mulher.
Ele: Tá sozinha? O Ra... digo, esse cara aí, é seu namorado, irmão...?
Ela: Nãaaaao... É meu filho!
Ele: ... ah, tá... (e volta, sem graça)
(De tanto gargalhar, caí de cima do carrinho onde estava...)

Winamp: Calling All Angels - Lenny Kravitz, que por sinal ficou uma MERDA na versão do show...